quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A vida pode mesmo acabar a qualquer segundo...

Já ninguém morre de velhice. Ora é uma doença daquelas bem fodidas (cancro, alzheimer, e afins), ora são acidentes estúpidos (há uns 4 ou 5 anos atrás, um amigo de uma colega morreu na banheira), ora são acidentes de viação. No que toca a estes últimos, acho que todos acabamos por ter sentimentos quase opostos. Se por um lado ficamos em choque quando vemos imagens de certos acidentes, por outro lado com a quantidade estapafúrdia de gente que morre na estrada todos os anos às vezes as notícias quase nos passam "ao lado". Porque todos crescemos a ouvir "morreram X pessoas nas estradas portuguesas no último ano". Ou então "o primeiro dia da Operação Páscoa já conta com 4 mortos". Ou então "as mortes na estrada são uma das principais causas de morte em Portugal". Infelizmente, já se tornou quase banal.

Mas não pode ser banal. Para cada pessoa que morre, há uma família enlutada e amigos devastados. Por vezes deixam filhos, órfãos de pai, de mãe ou de ambos (uma ex-namorada minha perdeu a mãe num acidente de carro, quando ainda era bebé). Não podemos deixar que se banalize.

E se é mau morrer quem quer que seja num acidente de viação, torna-se mais chocante quando se trata de jovens. Da nossa faixa etária, da faixa etária dos nossos irmãos, da faixa etária dos nossos sobrinhos, whatever! São jovens na flor da idade, com tudo para viver, com um mundo para conhecer. Com estudos para concluir, com trabalhos para concorrer. Com sonhos, com planos, com metas a atingir.

Há bocado, tive a triste notícia da morte de um amigo do meu irmão mais novo. Morte na estrada. Colisão frontal com um camião. 19 anos. Uma vida pela frente. A morte repentina de um miúdo que, ao que me consta, era um poço de alegria. Deixa família. Deixa amigos. Deixa namorada.

"O carro "ficou por baixo do pesado e foi arrastado alguns metros", disse, ao JN, o comandante dos Bombeiros Municipais da Figueira da Foz, Nuno Osório.
As manobras de desencarceramento da vítima foram extremamente complicadas e morosoas, segundo a mesma fonte."

RIP Filipe.

10 comentários:

  1. Estas notícias deixam-me um aperto na garganta, daqueles que tornam difícil engolir a própria saliva. No entanto, à distância, dou por mim a pensar porque é que nos importamos tanto com pessoas. Somos 7000 milhões! Mais um, menos um, que diferença faz? Porque nos comportamos como se estivessemos em risco de extinção? E a resposta é precisamente a que deste: porque ainda que pareçamos simples cópias uns dos outros, cada um de nós é absolutamente único, com uma personalidade própria e coisas distintas a oferecer ao mundo. Mas essencialmente, cada um de nós tem laços profundos com outros. "Outros" que, muitas vezes, somos nós. E a dor dos outros passa a doer-nos, porque podemos não conhecer a pessoa que morre, mas conhecemos o sentimento que a unia a alguém e está a estraçalhar essa(s) pessoa(s) em mil bocadinhos... Não fugimos à dor que o sentimento de empatia nos traz.


    (Não era minha intensão filosofar...)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Mas filosofaste bem, ABT...

      Ainda um dia destes disse precisamente isso: cada um de nós é único e por isso mesmo especial. E criamos laços com outros, muito por identificação.

      E é muito isso...

      Eliminar
  2. Compreendo-te perfeitamente a morte em jovens é sempre algo complicado. Enfim a morte em si é algo que me deixa muito mas mesmo muito atrapalhada/aterrorizada pois já tive que lidar infelizmente muitas vezes(leia-se demasiadas) com a mesma.
    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sei o que isso é. Eu também lido mal com perdas :/
      Beijinho

      Eliminar
  3. A vida ensina-nos sempre que o melhor mesmo é vivê-la. E são estas noticias que nos fazem relativizar os nossos problemas todos...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É isso mesmo, disseste tudo.
      Há que aproveitar cada segundo, porque pode de facto ser o último...

      Eliminar
  4. Mas realmente no que toca a acidentes de carro estamos todos já "vacinados", quando vemos algum acidente na televisão já por vezes comentamos "olha, mais um", é normal que com tantos e cada vez mais chocantes estejamos a ficar insensíveis a isso, o ser humano é mesmo assim. Fica insensível a tanta coisa e sobretudo gosta de começar a opinar sem saber.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É verdade.
      Mas não podemos banalizar... Temos que lutar contra essa banalização... Uma vida humana é sempre uma vida humana...

      Eliminar
  5. :(
    Para os de fora essas mortes são meros números, mas para quem perde as suas pessoas é um bocado do seu coração que é arrancado. :(
    Que ele descanse em paz.
    Força. beijinhos

    ResponderEliminar

Real Time Web Analytics