Mostrar mensagens com a etiqueta Me Myself and I. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Me Myself and I. Mostrar todas as mensagens

sábado, 27 de junho de 2015

Quero voltar a investir na minha formação!

Ando a pensar seriamente em voltar a estudar.

Deixei de estudar em 2007, não chegando a concluir o secundário, porque valores mais altos se levantavam (ajudar financeiramente a minha família). Mas sempre disse que não haveria de ficar por aqui, que haveria de voltar a estudar, fosse quando fosse. E acho que "esta" (entre aspas, porque não será já já) é a altura ideal: voltar a estudar até aos 30 anos. Quero voltar a apostar na minha formação, o saber nunca ocupa lugar e eu quero ser mais qualificado do que sou actualmente.

Esta ideia tem apenas um senão: a conjugação com a minha vida profissional... A disponibilidade é pouca - não tenho horários fixos, normalmente trabalho bem mais que 8h por dia, as folgas são sempre rotativas... E há ainda outro pormenor: nas ilhas, a oferta é escassa no que toca ao ensino superior... Estes dois factores dificultam um bocado a tarefa. Mas terei tempo para amadurecer esta ideia e para ver as melhores soluções.

Até lá, também terei que perceber o que quero exactamente. Na adolescência, a ideia sempre foi a comunicação social (a par da música, mas essa em Portugal......). Acabei por entrar profissionalmente no ramo audiovisual, pelo que também seria uma mais-valia poder aliar a minha experiência profissional a uma formação académica na área. Mas depois a minha lista de interesses e fascínios também é extensa: psicologia, sociologia, desporto, informática (esta última seria mais complicada, por causa da minha aversão a números ahahah).... Enfim, acho que hoje em dia me é mais complicado escolher do que teria sido na adolescência - porque nessa altura eu tinha uma ideia fixa, que hoje já não é assim tão fixa...

Uma coisa é certa: vou tratar de preparar a vidinha para voltar a estudar a curto/médio prazo (se tudo correr bem, nos próximos 2 anos).

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Melhor aniversário ever!

Vá, se calhar "ever" é um bocado exagerado, mas foi sem dúvida o melhor aniversário dos últimos largos anos. Isto porque consegui passar o aniversário em casa (Coimbra), o que já não acontecia desde 2007!

Começando pelo início... Há várias semanas que andava com ideias de passar o aniversário em casa. Este ano era realmente importante conseguir passar esse dia em Coimbra, com a minha família... Depois do meu pai ter falecido no início do ano, senti que este ano era importante, para todos, podermos estar juntos no meu aniversário, seria uma alegria para a minha mãe... Além disso, a minha sobrinha faz anos apenas 3 dias antes de mim, e eu nunca tinha passado o aniversário dela em casa (e já nem estava em Coimbra quando ela nasceu)... E estas coisas marcam... Daqui a uns anos, ela iria sempre lembrar-se que o tio Roger nunca tinha estado com ela no aniversário... Então tinha pedido autorização para férias para a semana passada. A resposta foi negativa: não autorizadas - o que não me surpreendeu, até porque já começou a fase de maior trabalho. O que eu não sabia é que isso era tanga... Fui alvo de uma surpresa brutal quando, no fim-de-semana passado, percebi que afinal ia conseguir ir a Coimbra. Fui na terça-feira de manhã bem cedo e regressei sábado ao fim do dia. Foi tipo visita de médico, mas foi brutal!

A cara da minha sobrinha ao ver-me, na terça-feira, dia do seu aniversário, à saída da escola... Foi priceless! Ficou tão feliz e ao mesmo tempo tão surpreendida, que veio a correr para mim a chorar... Não me largou o resto do dia, e eu estava de coração cheio.

Na sexta-feira, dia do meu aniversário, foi a minha vez de ser surpreendido. Fui passando o dia com as minhas pessoas (família e amigos), mas a noite estava a ser preparada... Tive direito a festa semi-surpresa (sabia que a ia ter, porque não me deixaram organizar jantarada nem nada - só sabia onde estar e a que horas), com quase todas as pessoas que me são importantes.

Foi uma semana brutal. Soube a pouco (sabe sempre a pouco), mas consegui estar com a família e com muitos amigos. Ainda consegui ir à Figueira da Foz apanhar umas ondas com a minha malta do surf, na quinta-feira bem cedo. Mas não consegui ir a mais lado nenhum - ou seja, não consegui estar com toda a gente com quem gostaria de estar. O tempo era escasso e isso tornava fisicamente impossível a tarefa de conseguir abraçar toda a gente que gostaria de abraçar... Tentei estar com o máximo de pessoas que foi possível (praticamente não parei, até as horas de sono foram escassas), mas ficaram muitos abraços por dar... Sobretudo dois dos mais importantes abraços que eu poderia ter...

Desta semana, ficam na memória algumas peripécias e algumas novidades, que, a seu tempo, contarei aqui ;)

A pior parte? A despedida, como sempre... A viagem de regresso foi, como sempre, com as lágrimas nos olhos (benditos óculos de sol)... Odeio despedidas... E parte-me o coração ver tudo a ficar para trás outra vez, ver a minha mãe a chorar, ver o meu sobrinho a não querer sair do meu colo, ver a minha sobrinha a não me querer largar a mão... Dói demais... Dava tudo para poder ficar de vez...

A todos os que me proporcionaram um dos melhores aniversários da minha vida, um enorme OBRIGADO. Tenho, sem dúvida, a melhor família e os melhores amigos do mundo. You guys rock!

PS - Um enorme obrigado também aos meus colegas. Que ajudaram a proporcionar isto. Que sabiam que as férias estavam autorizadas e trataram de todos os preparativos da viagem. E que, no meu regresso, no sábado, me puxaram para mais uma valente noitada, para também poder festejar com eles o meu aniversário. É por isto que eu tenho um orgulho imenso na minha equipa: não só são profissionais excepcionais, como também são seres humanos fantásticos. Obrigado!

sexta-feira, 5 de junho de 2015

E acabo de subir mais um nível

Gentilmente roubado do blog da agri (sorry) :P

Mais um nível. E já lá vão 28. Irra, que isto passa mesmo rápido, hein? Parece que ainda ontem estava a comemorar a maioridade e já passaram 10 anos desde então... 10 anos! Uma década! Porra, sinto-me velho a dizer isto :P

Os 27 não deixam grandes saudades... Comecei os 27 a desapaixonar-me. Depois voltei a apaixonar-me, mas a vida também é feita de nãos. Pelo meio, o pior de tudo: perdi o meu pai, e isso vai marcar os meus 27 anos... É sobretudo nele que penso hoje. A falta que me faz o "parabéns oh chouriço"... Ao perder o meu pai, sinto que perdi um bocado o norte... Mas sei que ele vai acompanhar-me sempre - porque as pessoas que amamos nunca morrem para nós, as memórias permanecem para sempre.

Contudo, levo uma coisa bem positiva dos 27: os objectivos que atingi, no que toca a tentar ser mais saudável. Deixei de fumar, passei a alimentar-me um pouco melhor (o que me fez perder algum peso) e consegui ser menos dependente da cafeína (agora raramente bebo café). Aos 27 anos, acho que tomei finalmente consciência que o meu coração é um bocado mais fraco que os outros e que os meus vícios só o enfraqueciam mais. Esta batalha começou muito antes de eu perder o meu pai, mas o falecimento do meu pai foi, ainda mais, um wake-up call. Há famílias com grandes historiais de cancro, na minha é mais ao nível dos problemas cardíacos... AVC's, enfartes e coisas assim, são tipo a maldição da família. E eu, com um problema cardíaco crónico, estava a pôr-me a jeito... Decidi mudar os hábitos, e a verdade é que me sinto melhor fisicamente.

Para os 28, acho que, pela primeira vez na vida, parto sem expectativas. Sem grandes planos. Lá está, isto é tudo demasiado rápido, demasiado curto. E eu só quero viver o dia-a-dia. O que tiver de acontecer, acontecerá - porque o que tem de ser, tem muita força, já dizem os Deolinda.

E, acima de tudo, quero levar para os 28 o que tinha nos 27, e nos 26, e nos 25, e etc: as pessoas mais fantásticas do mundo - os meus amigos e a minha família. Sou um privilegiado por ter tanta gente boa ao meu redor, tanta gente fantástica, tanta gente espectacular. Tenho os melhores amigos do mundo e a melhor família do mundo. E sou muito grato por isso. 

E, na senda de viver o dia-a-dia, vou tornar este dia épico e memorável ;)

Post agendado

terça-feira, 26 de maio de 2015

Dizem que é dos carecas que elas gostam mais xD

Eu devia estar louco quando apostei o meu cabelo. Eu passo a explicar... O meu cabelo é, provavelmente, a minha única "vaidade" física, por assim dizer. Quando perguntam "o que mais gostas em ti fisicamente?", a minha resposta é sempre "olhos e cabelo". Gosto de ter o cabelo penteado à minha maneira, e às vezes até despenteado à minha maneira. E é uma área restrita: só dou livre acesso à minha mãe e à namorada quando sou comprometido, de resto odeio que me mexam no cabelo e não o permito. Pronto, por aqui se vê que tenho uma relação forte com o meu cabelo.

Nota, antes de prosseguir: costumo usar o cabelo "grande". Não, não é cabelo comprido. Não é grande em comprimento. Apenas também não é muito curtinho. Costumo ter uma bela juba, não fosse eu um grande leão :P a melhor forma que arranjo para vos explicar é utilizando o termo "cabelo à surfista", ou mais ou menos isso, vá.

Pois que fiz uma aposta, e pus o meu cabelo a prémio. Concluindo: perdi, e rapei o cabelo. Rapei mesmo. Completamente. Ainda me disseram "vá, caga nisso, não precisas de rapar, esquece a aposta, cortas só e deixa lá". Não. Eu sou um homem de palavra, mesmo quando o sacrifício é dos grandes. E como homem de palavra que sou, rapei o cabelo. Nota: desde para aí os meus 8 ou 9 anos que não rapava o cabelo. E mesmo assim, na altura não rapava tanto!

O trauma, o drama, o horror, a tragédia xD acho que não me vou ver ao espelho nos próximos 3 ou 4 meses xD

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Reflexões de um gajo cansado... (ou consequências de um dia não)

Daqui a nada, estamos a meio do ano. Daqui a nada, farei 28 anos. E este 2015 tem-me saído todo ao contrário...

Quem acompanha este blog há algum tempo, terá eventualmente reparado que, no final do ano passado e nos primeiros dias deste ano, cheguei a dizer aqui que este seria um ano revolucionário para mim. Pelo menos, era o que estava nos meus planos... Posso dizer que tinha um plano A e um plano B... O plano A passava por emigrar, por ir para fora. Sentia-me a necessitar de conhecer novos locais, novas culturas, novas pessoas, novas rotinas. Tinha algumas coisas ligeiramente apalavradas, sobretudo uma que iria fazer-me sair por completo da minha zona de conforto: iria mudar de área profissional e iria para um país cuja língua não domino (o que aprendi na escola acabou por se ir perdendo no tempo). E sair da minha zona de conforto aliciava-me... Também me assustava, é certo, mas aliciava-me... Já conseguia sentir a adrenalina a correr-me nas veias... Mas, como também é importante manter os pés bem assentes no chão para o caso das coisas correrem mal, tinha um plano B. Porque o que eu queria mesmo era dar uma volta à minha vida, meti na cabeça que, caso acabasse por ficar por aqui, iria passar a viver sozinho (ainda falei levemente sobre isso no último post de 2014). Sentia que era o passo que me faltava nesta coisa de ser adulto e de ter a minha independência. Já tenho independência financeira, já saí da minha cidade, só me faltava viver sozinho (para quem não sabe, vivo com 4 colegas).

O que não estava nos meus planos, de todo, é que 2015 fosse revolucionário, mas negativamente... Perder o meu pai foi um duro golpe. O meu pai era o meu exemplo, era das pessoas mais importantes da minha vida. Perdê-lo foi perder uma parte de mim... E mudou tudo... Neste momento, está fora de questão sair de Portugal... Estou fora da minha cidade e longe dos meus, é certo. Mas estou no meu país... A falar a minha língua, com comunicações móveis "grátis" para os meus, na rotina que já é a minha há 7 anos, ... De repente, deixou de fazer sentido sair da minha zona de conforto, porque não estou emocionalmente preparado para o fazer. E também deixou de fazer sentido ir viver sozinho agora... Porque não estou preparado para chegar a casa e ter apenas silêncio. Porque não estou preparado para estar só comigo próprio. Porque o rebuliço cá de casa tornou-se vital para mim. E, até me sentir preparado para tal, viver sozinho passa a ser mais um plano adiado.

2015 vai quase a meio e todas as ideias que eu tinha para este ano, foram por água abaixo... Pior que isso: 2015 está marcado pelo sofrimento da perda do meu pai. Tal como os dois últimos anos múltiplos de 5 já haviam ficado marcados por perdas importantes. É irónico: faço anos num dia 5, mas o número 5 (que já foi um dos meus números preferidos) tem sido uma espécie de "maldição" nos últimos 10 anos...

Estou a reinventar-me, pela milésima vez. Estou a redefinir-me, pela milésima vez. E confesso-me um pouco cansado disto tudo... Cansado de não ter um pingo de estabilidade na vida: quando parece que estou prestes a atingir o ponto de equilíbrio que procuro, lá vai tudo com o caralho outra vez... Roger ao fundo, ao estilo de batalha naval... Dizem-me que é preciso lutar, que não posso baixar os braços, que não posso desistir, que é preciso ter esperança num amanhã melhor, e todos aqueles clichés que todos conhecemos de cor e salteado. Mas porque é que, quanto mais eu luto, mais a vida teima em mandar-me abaixo sem dó nem piedade?! Dou por mim a questionar as minhas próprias convicções: sempre defendi que o esforço nunca é inglório, e agora dou por mim a perguntar "será que não é mesmo?"...

Há uma coisa que está bem assente na minha cabeça: a pouco mais de duas semanas de completar 28 anos, decidi que não vou fazer mais planos, algo que eu gostava de fazer nas duas datas que encaro como "mudança de ciclo" (aniversário e passagem-de-ano). Não vou traçar objectivos, não vou delinear metas, não me vou propor a atingir X ou Y em tal espaço de tempo. Estou cansado de ver os planos a não passarem disso mesmo... Por isso, desisto de os delinear. Vou viver ao sabor do vento, passo a passo, dia após dia. Sempre tentei ter controlo na minha vida, dentro do possível, mas a puta da vida sempre teimou em mostrar quem manda. Então agora vou pôr-me nas mãos dela... O que tiver de acontecer, que aconteça... Se não a podes vencer, junta-te a ela...

terça-feira, 12 de maio de 2015

Balanço de um ano após o maior voto de confiança que tive na minha vida profissional


E posso dizer que tem sido um desafio constante. O que me agrada, porque eu gosto de me sentir constantemente desafiado, gosto de transpor barreiras. Gosto de fazer mais e melhor. A palavra "ambição" é muitas vezes conotada negativamente, mas eu, não só acho uma coisa positiva, como acho também essencial. É a ambição que nos leva mais além, que nos faz querer ser mais e melhor, que nos ajuda a realizar os nossos sonhos, que nos faz atingir as metas. As pessoas levam a palavra "ambição" para o lado negativo porque associam-na a "espezinhar". Atenção! Ambição é uma coisa, não ter escrúpulos é outra! São coisas bem diferentes! Ser ambicioso não quer dizer que se passe por cima dos outros ou que se seja capaz de tudo para subir! E eu vejo a ambição como algo essencial. Espicaça-me, faz-me querer superar-me - mais do que superar seja quem for, quero sempre superar-me a mim! E dizerem-me "não és capaz"? Ui, é dos maiores incentivos que me podem dar: podem ter a certeza que vou conseguir, ou, na pior das hipóteses, morrerei a tentar!

Ao longo deste ano como "chefe" (sinceramente? odeio a palavra :P), o trabalho em si, quer no volume, quer na responsabilidade, não tem sido o maior desafio. O maior desafio tem sido lidar com pessoas. Manter as pessoas motivadas e focadas, manter o espírito de equipa e de entreajuda, manter-me atento aos estados de espíritos de cada um, gerir expectativas, e por aí fora. Esse sim é o verdadeiro desafio. Já escrevi sobre isso uma vez, aqui (clicar para abrir)

Não é nada fácil, acreditem... Há dias em que só me apetece é fugir. E há dias em que só me apetece dar um berro. E há dias em que me gastam o nome (é o telefone que não pára, são os meus próprios chefes a pedir coisas, são os colegas a pedir ajuda, ou whatever) e só me apetece dizer "foda-se, tudo eu, tudo eu!". Há dias caóticos, que há. Há dias em que dou por mim a pensar "vou pedir um mês inteiro de férias e ai de quem não autorize". Mas é aí que depois entra a parte da responsabilidade e do bom-senso... Às vezes, até demais... Sou um workaholic, confesso. Por exemplo, quando o meu pai faleceu e eu estive em Coimbra durante quase 2 semanas, estive sempre contactável - ninguém me chateou com trabalho, mas eu, não só fiz questão de me manter contactável, como também tive a preocupação de ir ligando. Porque foi uma situação repentina, que não me permitiu ter o trabalho alinhavado, porque não tive tempo de (nem cabeça para) "passar a pasta".

Não me defino como "líder". Não ajo com isso na cabeça, não tomo as minhas decisões a pensar que "estou a ser um líder". As minhas acções são apenas fruto do que eu sou como pessoa. Cada acção que faço, faço-a seguindo os meus valores e seguindo aquilo em que acredito. Esse é o meu foco diário: ser eu próprio, seguindo o meu sentido de justiça, seguindo os meus valores e ideais, seguindo as minhas convicções, e confiando nos que me rodeiam e que são a minha equipa.

Desde o dia em que fui promovido, tenho para mim uma premissa pessoal, que me foi incutida na educação e que faço questão de ter bem presente em todos os aspectos da minha vida: o "poder" traz grandes responsabilidades. Não deixo que a promoção me faça adormecer à sombra da bananeira: justifico, todos os dias, a responsabilidade que me foi confiada; justifico, todos os dias, a confiança que depositaram em mim; justifico, todos os dias, o ordenado que ganho. E também não esqueço, nunca, quem me deu a mão quando precisei. Não esqueço que este trabalho garantiu, numa determinada altura, a sobrevivência da minha família. Não esqueço que eu batalhei muito para chegar aqui, mas que também estou onde estou porque houve quem acreditasse em mim. E portanto sou também muito grato a todos os que me ajudaram a crescer profissionalmente. E o meu esforço diário também é por eles: para que nunca se sintam desiludidos comigo.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Vitória, vitória, acabou-se a história!

Nota: este post foi escrito a 25 de Janeiro. Estava nos rascunhos, prestes a ser publicado no início de Fevereiro. Mas entretanto, como sabem, estive ausente daqui, pelos motivos que também já sabem... De modo que mudei apenas pequenos pormenores para o publicar agora. Bem como acrescentei o último parágrafo do post.

Que se fodam aqueles que acham que "ah e tal, passagem-de-ano... das 23h59 para as 00h, nada muda". Não muda só se não quiserem, preguiçosos do camandro! Agora parece que é moda desdenhar toda e qualquer data festiva. Epá, até se pode não ligar (eu não ligo a quase nenhuma época festiva, por exemplo), mas se são datas festivas, há quem goste de as festejar. Em relação à PDA, há quem, por acaso, até trace objectivos para o ano seguinte. E há quem, por acaso, goste de cumprir metas. Por isso, que se fodam todos os pseudo moralistas. Querem perder peso? Então batalhem para isso. Querem deixar de fumar? Então tornem a vossa mente mais forte que o vício. Querem poupar algum dinheiro, para comprar algo? Então vão fazendo um mealheiro: sempre que vos chegar à carteira uma moeda de X euros (valor à escolha), metam de parte e vão juntando. Claro que há coisas que não dependem só de nós. Eu também sonho todas as semanas com o Euromilhões e não é por isso que estou rico :P mas naquilo que está ao nosso alcance, há que batalhar até ao último segundo por aquilo que se quer!

Isto tudo para dizer que...
Neste post (clicar para abrir), escrevi o seguinte: "Deixei de fumar há 1 mês! Mas ainda não me considero ex-fumador... Porque quando saio à noite ainda não consegui evitar fumar 1 ou 2 cigarros - o álcool puxa o tabaco... Pelo que sou actualmente o que se chama de "fumador social" - e é por isso que tenho evitado ao máximo sair à noite. É porque quero conseguir ser não-fumador a 100% dentro de pouco tempo".
O que vocês não sabem é que me auto-propus a fumar o último cigarro na noite da passagem-de-ano. Em simultâneo com o brinde da meia-noite, acedi o meu último cigarro. Consciente que a minha mente tem de ser sempre mais forte que o vício. Consciente que vivo rodeado de muitos fumadores e que hão-de existir dias em que o olfacto e a visão vão transmitir um certo desejo ao meu cérebro, mas que me cabe a mim contrariar o impulso. Consciente que a batalha não acabou agora, porque esta é uma batalha para a vida.

E é com orgulho (sem falsa modéstia) que anuncio que sou "tobacco free" desde a madrugada de 1 de Janeiro de 2015. 2 meses sem pegar num único cigarro que fosse. 2 meses livre de nicotina, alcatrão e monóxido de carbono. 2 meses como ex-fumador.

Só eu sei o quanto me custou evitar pegar num cigarro no último mês... Foi uma verdadeira prova de fogo... Só me apetecia fumar, só me apetecia ter algo que me acalmasse minimamente a alma... Foi duro conseguir resistir à tentação... Mas consegui! Inconscientemente, provei a mim mesmo que, de facto, a minha mente é mais forte. E tenciono manter-me "tobacco free", tenciono continuar esta batalha, tenciono continuar a resistir a um vício que durou mais de uma década.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Sei que os meus "está tudo bem" já não enganam ninguém quando...

... uma pessoa que lida comigo diariamente soltou hoje as seguintes palavras: "só te tinha visto uma vez com um olhar tão triste e perdido".

E perante uma observação destas, um gajo fica sem chão e sem resposta...

Os balanços fazem-se no fim, e ainda faltam 2 semanas para acabar o ano. Mas como eu não acredito em milagres, para mim o ano está fechado. 2014 foi um ano de solavancos. Teve coisas muito más, teve coisas muito boas. Mas não vai deixar saudades. Acho que só levo 5 coisas positivas deste ano: o nascimento do meu sobrinho; a minha promoção no trabalho; os objectivos pessoais que cumpri, a chamada "Operação Chega de Sustos" de que já falei aqui no blog; o meu regresso à música; as pessoas que conheci e que valeram a pena conhecer - e aqui há duas que destaco: embora já conhecesse ambas desde o ano passado, foi em 2014 que criei laços com elas. Claro que estas 5 coisas foram muito boas, e posso até dizer que tive ali uns 4 meses que anteviam que 2014 até se tornasse bom, mas este ano foi demasiado instável para mim... E sinceramente acho que estou a terminá-lo pior do que comecei... Mais perdido, pelo menos...

Que venha 2015. Com novas metas. Com novos projectos. Com novas ambições. Quiçá com outros lugares, outras pessoas, outros hábitos. Que eu seja capaz de me reinventar mais uma vez, que eu tenha a mesma força que tive para sair da minha conhecida fase fundo do poço. Que surjam novos caminhos, novos horizontes. Que eu seja capaz de fechar o coração (de certa forma) e de abrir a mente. Que eu seja capaz de deixar para trás as pseudo-certezas que teria para a minha vida, e que seja capaz de interiorizar que se calhar estou talhado para outras coisas. Que seja um ano de crescimento pessoal e profissional.

Por incrível que pareça, apesar de estar perdido, fecho 2014 com uma convicção. Quando tu vês uma pseudo-certeza por duas vezes na vida mas não dá certo em nenhuma delas (embora de formas diferentes), é porque não é esse o caminho - clicar para abrir link. Se fosse, em alguma delas teria dado certo. Por duas vezes vi aquilo que desejava, que sonhava. Depois de já ter acontecido uma primeira vez, há uns anos, pensei que era impossível voltar a acontecer novamente, e com tantas semelhanças... Mas aconteceu... E eu pensei realmente que podia querer dizer algo. E foi aí que me esbardalhei: perdi toda e qualquer racionalidade, mandei-me de cabeça e... acabei de focinho no chão. A queda foi grande, mais do que admito perante qualquer pessoa - porque "está tudo bem". Foi uma queda a pique e fiquei cheio de mazelas. As feridas ainda estão abertas, ainda não começaram a cicatrizar. Mas a mudança de ano representará também uma mudança de ciclo. Diria até uma mudança de convicções. Não de valores e princípios, mas sim de rumos que eu tinha pré-definidos e que sempre tomei como certos, e que provavelmente não se enquadram em mim. Como eu disse noutro post, não nascemos todo para o mesmo.

Venha 2015 com tudo o que tiver para me dar. Sobretudo paz de espírito, maturidade e um rumo.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Primeira setlist da banda

É hoje à noite, no jantar de Natal do trabalho, a primeira actuação do meu mais recente projecto!

Setlist:
(todas as músicas estão linkadas para o Youtube, basta clicarem em cima de cada uma para ouvir)


* Versão acústica (Roger - guitar & vocals, João - guitar & vocals). 
Versão parecida com esta (clicar para abrir)

É uma setlist até bastante soft, dado o nosso género musical. Mas não quisemos pegar pesado no jantar de Natal, com os big bosses todos ali e tal :P
Porque até chegámos a ponderar a "Happy Holidays, You Bastard" dos Blink, cuja letra é sugestiva: "It's Christmas Eve and I've only wrapped two fucking presents (...) Unless your Dad will suck me off, I'll never talk to you again, unless your Mum will touch my cock, I'll never talk to you again, ejaculate into a sock (...)" xD
Estou a brincar, não ponderámos nada, seria too agressive, apenas brincámos com a ideia :P
Já basta a sátira na primeira música :P

E a setlist até era para ser mais pequena. Mas decidimos incluir Tara Perdida e Charlie Brown Jr, como homenagem ao Ribas e ao Chorão (respectivamente), que morreram recentemente e são duas influências para todos na banda.

Wish me luck ;D

Post agendado

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Quando eu meto uma coisa na cabeça, o objectivo é só um: a vitória!

Digo muitas vezes, meio a sério meio a brincar, que não há ninguém mais obstinado que eu. Quando meto uma coisa na cabeça, vou até ao fim. Sou muito mais emocional do que racional, mas quando traço um objectivo, só paro na meta.

Lembram-se da "Operação Chega de Sustos"? Vejam este post de Junho (clicar aqui para abrir).

Pois que atingi o meu objectivo inicial de sair dos 90kg, estou com 88,5kg (para 1.88m) - quando comecei esta jornada, pesava 96kg. Sobretudo à base de uma alimentação mais regrada, onde não deixei de comer o que gosto, mas passei a ter mais cuidados com a alimentação. Passei a comer menos de cada vez mas mais vezes por dia. Não tenho nenhuma "dieta" por assim dizer, mas também fiz um esforço para comer menos "porcarias". Como o que me apetece, mas de forma mais regrada. Por exemplo, se me apetecer McDonald's hoje, como! Mas já não como 3 ou 4 vezes por mês como fazia antes. Tentei disciplinar-me um pouco mais nesse sentido.

E tive mesmo de fazê-lo, porque infelizmente o exercício físico teve de ficar para trás. Devido a um pequeno susto cardíaco há uns meses atrás, fiquei proibido de fazer grandes esforços físicos, pelo que as corridas tiveram de parar. Actualmente vou apenas fazendo umas caminhadas. E os ensaios da banda também vão servindo para perder algumas calorias ahahah :P

Quanto ao café, consegui abolir os dois cafés diários que bebia antes de começar esta mudança de hábitos. Agora é muito raro beber café, só mesmo naqueles dias complicados em que me sinto meio zombie, e mesmo assim só bebo um.

A meta mais complicada era a do tabaco. Quem fuma ou já fumou, sabe que é dos piores vícios de deixar. E considero que essa foi a minha maior vitória. Deixei de fumar há 1 mês! Mas ainda não me considero ex-fumador... Porque quando saio à noite ainda não consegui evitar fumar 1 ou 2 cigarros - o álcool puxa o tabaco... Pelo que sou actualmente o que se chama de "fumador social" - e é por isso que tenho evitado ao máximo sair à noite. É porque quero conseguir ser não-fumador a 100% dentro de pouco tempo!

Apesar de todas as condicionantes, tenho orgulho do que consegui. Fiz mais por mim e pela minha saúde nestes últimos meses do que nos últimos 7/8 anos. Nem sempre foi fácil, admito. Sobretudo no que diz respeito à batalha do tabaco... Há dias em que o stress aperta e começa a surgir aquela vontade... É nesses dias que fico verdadeiramente insuportável - um enorme pedido de desculpa e um enorme obrigado a quem me tem aturado. Tenho noção que fico mais irritável, com menos paciência, mais brusco nas palavras e nas acções.

Concluindo, sou cada vez menos uma bomba-relógio no que à saúde diz respeito!

No post de Junho também escrevi isto:
"Os 27 vão também ficar marcados por outro tipo de mudanças. Tenciono, mais do que nunca, olhar para a frente. Calar muitas bocas, muitos profetas da desgraça e muita gente com a mania que é esperta. Tenciono tornar-me mais confiante, tenciono dar um rumo à minha vida. Enquanto não aparece "a tal", vou dedicar-me a mim e ao trabalho. Quero voltar a ser distinguido como trabalhador do ano! Vou dedicar-me às pessoas que valem a pena e mandar foder as que não valem. E quero ser digno da "tal", da "the one". E como tal, vou levantar a cabeça e travar todas as batalhas que tiver a travar, não vou fugir de nenhuma, não vou pôr a minha vida nas mãos de ninguém. Vou tomar as rédeas da minha vida e da minha felicidade. It's me against the world ;)"

A esse nível, as coisas podiam estar melhores, podiam... Acho que precisava de um boost de auto-estima, que a coisa já viu dias melhores... Mas uma coisa é certa: cada vez aturo menos bullshits. Estou a ter cada vez maior capacidade de mandar foder quem não merece a minha atenção, estou cada vez mais focado em mim, no que eu quero, no que eu preciso, no que me faz feliz. Nunca fui politicamente correcto, mas acho que estou cada vez mais focado no meu bem-estar. Pela primeira vez na vida, acho que estou a conseguir pôr-me à frente dos outros. Sempre vivi muito em função dos outros - não do que os outros pensam (era o que faltava!), mas do que os outros precisam. Anulei-me muitas vezes em função do bem-estar alheio. Burro velho não aprende línguas e há coisas que estão no meu ADN e que nunca conseguirei mudar. Mas consigo moldar, isso sim. E aprendi que não consigo fazer bem a ninguém se não conseguir fazer bem a mim próprio acima de tudo. Não corro atrás de ninguém, fica quem quer ficar, e esses eu valorizo cada vez mais. E vira costas quem quer virar. Não tenho que provar nada a ninguém, não tenho que correr atrás de ninguém, não tenho de ficar onde não me sinto bem, não tenho que mendigar nada a ninguém. Migalhas dão-se aos pombos. Ao meu lado quem quiser, contra mim quem puder. Ponto.

No meio disto tudo, sei que estou a calar alguém. Alguém que mandei foder há algum tempo atrás, e que estou-me a cagar se algum dia vai saber destas minhas vitórias. Mas era alguém que duvidava da minha determinação. Alguém que achava que eu não ia ser capaz de mudar os meus hábitos, alguém que achava que eram palavras da boca para fora. Mas só digo: quem ri por último, ri melhor.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

What you see is what you get

Tenho mil e um defeitos. E mil e uma características que provavelmente não são do agrado de muita gente.

Quando partem para cima de mim com arrogância, consigo ser ainda mais arrogante (e uso e abuso da ironia). Sou teimoso até dizer chega. Sou orgulhoso (tem sido o que mais tenho moldado em mim, porque já fui exageradamente orgulhoso... hoje em dia estou bastante mais moderado...). Quando estou magoado/triste/chateado, sou brusco e distante. Tenho um acordar difícil (elevado ao expoente máximo quando acordo com barulho ou com luz, ou quando me falam muito na primeira hora após acordar). Sou refilão. Sou pessimista (mais com os meus botões do que aquilo que demonstro aos outros). Sou ciumento (dentro do limite do razoável - e este ponto vai bater com o próximo). Não tenho paciência para cenas. Não admito que me levantem o tom de voz (ninguém ganha mais razão por gritar) - e sou o primeiro a virar costas quando isso acontece. Não admito que me desliguem o telefone na cara e passo-me por completo. Sou impulsivo e muitas vezes acabo por dizer o que não quero e/ou não penso e/ou não sinto. Sou saudosista. Sou estupidamente ingénuo (já fui mais). Sou asneirento. Tenho uma auto-estima mais baixa do que devia. Sou perfeccionista e demasiado exigente comigo próprio - acho sempre que deveria ter feito melhor (determinado texto não ficou como eu queria; em determinada situação profissional deveria ter sido mais assertivo; etc). Odeio que me respondam com um "porque sim" ou um "porque não". Tenho um feitio do carago. E podia continuar a lista...

Dizia eu que tenho mil e um defeitos.
Mas há um que não me pode ser apontado: ser dissimulado. Não o sou. Não sou falso, não sou hipócrita, não sou mentiroso. Não mostro aquilo que não sou. Não há quem possa dizer que veio ao engano. Sou curto e grosso, doa a quem doer. Não levo ninguém ao engano, quem me conhece sabe exactamente o que pode esperar de mim - de bom e de mau.

Há muita gente dissimulada. Que vai escondendo os seus defeitos no fundo da gaveta, com a secreta esperança que nunca sejam encontrados. Ao menos, os meus defeitos estão à vista. Tenho-os às carradas. Mas ao menos sei que quem gosta de mim e me rodeia, é por tudo aquilo que eu sou. Com tudo o que tenho de bom e com tudo o que tenho de insuportável (e eu sei que tenho dias em que sou insuportável xD).

Por isso é que sei que me rodeio dos melhores: são aqueles que, mesmo sabendo que tenho um feitiozinho peculiar, me aceitam como sou; são aqueles que sabem que quando me pedem uma opinião não vão ter paninhos quentes e palmadinhas nas costas, mas sim uma opinião absolutamente sincera, ainda que às vezes possa ser dura de ouvir. As pessoas sabem sempre com o que podem contar da minha parte. E eu posso ter muitos defeitos, que os tenho, mas também tenho orgulho em não papar grupos...

Sinceramente? Há coisas que vou moldando em mim, mas faço-o por mim. Mas no fundo orgulho-me da pessoa que sou. Ou como já disse uma vez neste blog, em resposta à pergunta "O Roger criança teria orgulho do Roger de hoje?": O Roger de hoje é aquilo que o Roger criança queria ser. O Roger adulto é a prova de que o Roger criança soube interiorizar os ensinamentos que lhe foram passados, a educação que lhe foi transmitida, os valores que lhe foram incutidos. Sou o homem em que me queria transformar. Há sempre coisas a moldar, obviamente, todos as temos. Mas, com todos os meus defeitos, acho que sou, cada vez mais, o ser humano que queria ser.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Back on stage!

Para além da família e dos amigos (obviamente), tenho 3 grandes amores na minha vida: o Sporting, o surf e a música. Já não são meras paixões, já são verdadeiros amores que fazem parte da minha vida desde sempre (o surf é excepção, apareceu apenas na adolescência). Mas a música desperta em mim algo que nunca conseguirei explicar... É o que mais gosto de fazer, é o que me dá mais gozo, é e sempre foi o meu grande hobbie.

Infelizmente, nos últimos anos, essa paixão foi ficando na gaveta. Quando saí de Coimbra, tive de deixar para trás a banda que tinha há vários anos. E desde então que deixei de me dedicar tanto à música. Ia fazendo umas coisas de vez em quando, mas muito esporadicamente...

Mas, apesar do trabalho não me deixar muito tempo para o lazer, decidi voltar a apostar um pouco mais nesse meu grande amor que é a música. E decidi iniciar um novo projecto. Uma banda de covers de punk-rock/pop-punk, dentro do género de Blink-182, The Offspring, Green Day, por aí... É um projecto que está a começar agora a dar os primeiros passos. É tudo muito recente, mas que nasceu de uma grande vontade de 4 colegas que querem sobretudo divertir-se!

As saudades que eu já tinha de voltar a ter a música bem presente no meu dia-a-dia :D

Rock on :D

domingo, 19 de outubro de 2014

A explicação do post anterior... Ou "o Roger a nu num simples post"... (parte II)

(continuação)

Hoje sei quais foram os meus erros. Sei identificá-los e aprendi com eles. Aprendi lições de vida, sempre à minha custa. É curioso como me ria quando um amigo meu costumava dizer "nunca endeuses uma mulher, é meio caminho para ela não ter qualquer pudor em pisar-te". Hoje dou-lhe toda a razão, hoje sei que esse foi um dos erros que cometi: punha aquela miúda num pedestal tal, que no dia em que tudo ruiu, eu não sabia como levantar-me.

Não lhe guardo rancor. É um facto que me magoou muito, é um facto que me desiludiu brutalmente. Mas também é um facto que, para o bem e para o mal, ela mudou a minha vida. E guardo o que é bom de guardar. E, acreditem, houve muita coisa boa para guardar. E é isso que guardo com carinho, todos os momentos bons. As cicatrizes das coisas más também estão cá, mas acredito que ela também as tem... Desiludimo-nos mutuamente, magoámo-nos mutuamente. As coisas acabaram como nenhuma relação tão especial e intensa devia acabar... Por culpa minha... No meio da minha fase "fundo do poço", eu estava tão desorientado que fui o maior otário que possam imaginar. Estava tão cego de revolta, que fui eu que arruinei com qualquer possibilidade de amizade. Disse-lhe coisas horríveis, que não sentia e não pensava, mas que no calor da revolta me saíam disparadas da boca... Fui eu que a afastei com as minhas atitudes... Porque me sentia magoado, traído até... Não compreendia (e isso é algo que ainda hoje não consigo compreender) como é que ela era capaz de dizer que me amava, que ia amar-me sempre, mas que estava a viver naquele instante "pequenos momentos de felicidade com a pessoa com quem estou" (palavras dela, que nunca esqueci). Porque, para mim, o amor é um sentimento absoluto, inteiro. Ou se ama ou não se ama. E quando se ama, não há espaço para surgir mais ninguém...

É por isso que o dia 19 de Outubro de 2007 me vai marcar para sempre. Explicando então o contexto dessa data... Esse foi o dia em que confessei que estava apaixonado por ela. Tinha esse sentimento escondido dentro de mim desde o Verão desse ano... E estava a sufocar-me... Ela era a minha melhor amiga, e namorava há uns 3 ou 4 anos... Ainda hoje não sei dizer quando é que o meu sentimento mudou, quando é que percebi que aquilo não era só amizade... Sei, isso sim, que esse Verão foi complicado. Comecei a vê-la de outra forma, mas ao início tentei desvalorizar, achava que era mera carência... Não era... O sentimento aumentava de dia para dia... Quis o destino que a relação dela começasse a tremer nesse mesmo Verão. Porque as probabilidades de ela entrar para faculdade longe de casa eram enormes e o namorado dela não estava a saber lidar com a situação. E ali estava eu, fazendo das tripas coração, completamente apaixonado mas a ouvi-la, a aconselhá-la, a ser o melhor amigo. Verdadeiramente na friendzone, portanto. Soube depois que foi nessa altura que ela também teve o click. Talvez isso explique as brincadeiras que começaram a existir: "ah e tal dava umas voltinhas contigo", mas sempre com aquele risinho de quem está a brincar. Nenhum de nós estava a brincar, não queríamos é que isso transparecesse. 

E foi naquele dia de Outubro que as coisas mudaram. Que numa conversa que ainda hoje não sei explicar como foi (os nervos daquele dia bloquearam-me a memória lol), ela acabou por perceber que havia algo que eu não lhe estava a contar. E apertou comigo. Aguentei horas a desviar o rumo da conversa - ou a tentar, porque ela era persistente! Para terem noção, a conversa começou a meio da tarde e acabou já bem de noite... Até que eu percebo que não havia como contornar, e acabo por lhe dizer o que sentia e descubro que é mútuo. E foi o início de tudo. Ela resolveu a vida dela, porque ainda tinha uma relação para terminar - e juro-vos, aqueles dias de espera (porque ela só ia a casa no fim-de-semana seguinte) foram uma tortura. Porque tanto ela como eu tínhamos noção que o ex dela merecia o total respeito. E só nos permitimos viver o que sentíamos no dia em que ela terminou a relação.

Foram 2 anos únicos. Apesar da desilusão e da mágoa no final, a verdade é que deep down inside sei que tinha ali uma grande mulher. Lá está, não me esqueço das coisas boas... Não me esqueço do apoio incondicional que ela me deu quando tive que vir para longe de tudo e todos, foi a minha grande força. Não me esqueço de tudo o que vivemos de bom. Não me esqueço de tudo o que aprendi com ela. Há quem me diga "ah e tal ainda há aí história" - há quem diga o mesmo da Carolina. Não, não há história nenhuma. Apenas há o carinho que fica das coisas boas. E mesmo com as coisas más eu cresci. O meu "fundo do poço" foi uma merda, que foi, mas fez-me crescer e amadurecer. Deu-me muitas lições para a vida.

O dia 19 de Outubro de 2007 trouxe-me muita coisa. Muita coisa boa e muita coisa má. Fez-me conhecer o meu melhor lado, mas também o meu pior. Fiz muito mal a mim próprio e fiz sofrer quem me rodeia e gosta de mim. Tornei-me mais desconfiado. Mais "desligado emocionalmente", no sentido em que quando me desiludem eu viro bloco de gelo. Tornei-me mais inseguro, menos confiante. Mas também me tornei mais adulto, mais capaz de enfrentar os problemas (percebi que fugir deles é algo que é sempre apenas momentâneo, mais tarde ou mais cedo eles aparecem de novo). Já não sou o mesmo Roger de 2007. A essência é a mesma, sim. Os valores, os ideais, os princípios... Mas sou menos ingénuo, menos dado, mais exigente (comigo e com os outros)... Por isso é que este dia me mudou irreversivelmente... E se durante 2 anos este foi um assunto que eu sempre evitei, chegou a altura de me reconciliar com essa parte do meu passado. E foi por isso que decidi escrever este post no blog. Hoje, aqui e agora, exorcizo os meus fantasmas...

A explicação do post anterior... Ou "o Roger a nu num simples post"... (parte I)

Quando digo que o dia 19 de Outubro de 2007 mudou a minha vida, é uma grande verdade. Como já perceberam pelo post anterior, tem a ver com uma pessoa que fez parte da minha vida.

Foi a partir desse dia que percebi que muita coisa que eu dava como certa, não era tão certa assim. Foi a partir daquele dia que percebi que os amores assolapados do passado eram afinal meras paixonetas, porque o amor só o descobri ali. Foi a partir daquele dia que percebi o que realmente gosto, quero e preciso numa mulher: companheirismo, cumplicidade, saber que mesmo no dia mais merdoso há sempre alguém que nos estende a mão. Foi a partir daquele dia que descobri o meu melhor lado, o que de melhor tenho, o que melhor sei fazer: amar, cuidar, proteger, mimar.

Mas nem tudo o que esse dia me trouxe foi bom... Enquanto durou, foi (a par de já ter estado perto de ser pai) a melhor coisa que me aconteceu na vida. Mas quando acabou, acabou mal, e destruiu-me enquanto pessoa. Por isso é que me mudou irremediavelmente... Quando falo da minha fase "fundo do poço", quem não me conhecia nessa altura não faz puto de ideia do que falo... E provavelmente desvaloriza... E é por ter aprendido com o passado que vou falar dele agora, pela primeira vez no blog...

O fim dessa relação coincidiu com a doença do meu afilhado e o seu falecimento... E foi tanta coisa a acontecer ao mesmo tempo, que foi too much to handle... E tornei-me uma sombra de mim próprio. Deixei-me levar por merdas que não devia. Apanhava bebedeiras quase diárias... E, pior que isso, a droga passou a constar na minha vida... Nunca tinha tocado numa ganza que fosse (e nunca mais toquei desde então), mas naquela altura estava tão perdido, que estar bêbedo e pedrado era a única forma de sair daquele mundo de dor e mágoa... Fui um fraco, eu sei... Quis fugir da vida, da realidade... Não queria encarar a dureza da vida, e fui um cobarde. Um cobarde que se deixou levar por merdas que anestesiam momentaneamente, mas quando deixamos de estar alterados os problemas continuam lá.

No meio de tanta merda, aliada a um coração fraco, fiquei a conhecer a vida hospitalar mais vezes do que seria desejável... Mas na altura, eu estava tão perdido que tudo isso me era irrelevante... Cheguei a misturar tanta merda, de forma consciente e propositada, que é uma sorte eu estar aqui hoje.

Felizmente, tive pessoas do meu lado que rapidamente me fizeram perceber o caminho destrutivo que eu estava a seguir. Esta "vida loka" durou aproximadamente 2 meses... Mas o fundo do poço ainda era o meu habitat natural... Afoguei-me propositadamente em trabalho, dispensava folgas para não ter de lidar com os meus problemas. Jurava nunca mais me apaixonar. Os momentos de carência eram resolvidos com umas curtes sem importância, merdas de uma noite, sem qualquer sentimento (porque como diz um grande amigo meu "o sentimento atrapalha a relação" lol). Aconteciam apenas pela necessidade de me sentir desejado, de querer ter o ego insuflado. Tinha o orgulho ferido porque a mulher que amava e com quem tinha namorado durante 2 anos, 1 mês depois de acabarmos já tinha outro namorado...

Esta fase "fundo do poço" existiu entre Fevereiro de 2010 e Março de 2012. Foram 2 anos de pura estupidez. Fui um puto, um cobarde, um fraco. Não me orgulho da grande maioria das coisas que fiz nesse período. Envergonho-me até. Por isso é que evito falar nisso. Porque me envergonha, porque me desilude a mim próprio e provavelmente desilude muita gente também. Foi por vergonha que só contei isto à minha última namorada já bem perto do final da relação... Porque acredito que deve ser uma desilusão do carago acharem-me forte por tudo o que já passei, e no final descobrirem que sou um fraco...

(continua)

sábado, 18 de outubro de 2014

"Um dia conheci uma pessoa"

Há umas semanas atrás, respondi a um desafio que me foi proposto (post aqui - clicar para abrir).
Uma das perguntas era: "Se pudesses reviver um dia da tua vida (sem lhe alterar coisa alguma), qual seria?". Respondi dois dias. O dia em que soube que ia ser pai; e um dia que me mudou irremediavelmente por vários motivos (19.10.07).

Através do texto que vou colocar de seguida, terão uma ideia do porquê deste dia me ter ficado marcado. Ou pelo menos, conseguirão perceber mais ou menos com que está relacionado. Mas amanhã explicarei então o contexto da situação, como é que este dia me mudou em todos os sentidos (a forma de encarar o mundo, a forma como encaro as relações amorosas, etc).

Texto escrito pela C. S. (copy/paste integral), sendo eu o destinatário, datado de 17.02.08 e cujo título é o mesmo deste post.

"Um dia conheci uma pessoa….daquelas que nos marcam sem querer. Uma pessoa daquelas que nos agarram só por serem aquilo que são. Conheci-o sem querer…por acaso….ou talvez não. E com o tempo fui aprendendo a gostar dele…e ele de mim.
 
Passou algum tempo, tornámo-nos cúmplices, confidentes, melhores amigos. Ele ouvia-me chorar e ouvia-me rir. E eu fazia o mesmo com ele. Estava lá…dava-lhe a mão quando ele queria atirar-se para o chão e desistir…e não deixava. Não deixava que ele desistisse de nada, tal como ele fazia comigo. Puxava-o para cima e fazia-o viver todos os dias mais um bocadinho. Enfrentar aquilo que o magoava e faze-lo ser mais forte! E ele conseguia…devagarinho dava mais um passo todos os dias. Com a minha ajuda e com a ajuda de todas aquelas pessoas que são importantes para ele. Elas também lá estavam, também eram importantes. 


No entanto, entre nós era tudo diferente. Era tudo novo, forte, intenso. Sem querer escrevemos uma história de cumplicidade muito bonita, que aos nossos olhos era apenas uma história de uma amizade que nasceu por força do acaso.
Mal sabíamos nós o que se ia passar a seguir.

Todos os dias falávamos, todos os dias tínhamos alguma coisa para contar um ao outro. Fosse bom ou fosse mau partilhávamos quase tudo. Não tínhamos medo de confiar…e ao mesmo tempo que era uma confiança estranha….era boa, muito boa. Falávamos de nós muitas vezes, da amizade especial que nos unia. Escrevemos coisas um ao outro, dissemos coisas um ao outro. Chorámos quando nos afastámos, chorámos quando tivemos sem poder falar todos os dias… E era tudo tão estranho para nós…e ao mesmo tempo tão bom. Não se podia explicar…mesmo que tentássemos ninguém ia compreender…porque era mágico. Era só nosso. Apenas podíamos sentir e viver aquela historia lado a lado todos os dias.

A verdade é que sempre foi diferente… sempre foi especial, demasiado especial para ser um acaso.
Ele estava lá sempre. Não havia dia em que não me viesse á cabeça por esta ou aquela razão. Quando me ligava o sorriso com que eu ficava era estranhamente delicioso. Quando ouvia a voz dele a sensação de paz com que ficava era qualquer coisa que ainda hoje não sei explicar… ou se calhar sei, como tu também sabes.

Hoje faz tudo tanto sentido…os sorrisos, as lágrimas, o aperto no coração. As conversas até ás tantas. As vezes em que falávamos das conversas no sofá…
Faz sentido…agora faz sentido. Fazem sentido as reacções estranhas (sabes do que estou a falar). Fazem sentido os comentários que ouvíamos este tempo todo.

Aquela amizade especial que não se explicava começava a ser mais que isso. De repente demos por nós e era tão mais do que isso. Mas o medo era tão grande. O medo de que do outro lado o sentimento não fosse o mesmo (o que nas nossas cabeças era o mais provável). O medo de contar porque podíamos pôr a amizade em risco. 


Também tive medo…tive medo de arriscar, tive medo de te contar tudo. Tive medo que fugisses por não saber lidar com isto. Uma vez escrevi uma mensagem em que te contava tudo. Tudo o que sentia, as sensações que me causavas sem saberes, mas depois não tive coragem de arriscar e pôr em risco tudo aquilo que tínhamos construído. Mas tu contaste…tu disseste que estavas apaixonado. E de cada vez que me lembro da sensação de felicidade que senti naquele momento, solto aquele sorriso genuíno que soltei quando li aquela mensagem. A mensagem que mudou as nossas vidas.

Porque de repente a minha vida deu uma volta de 180º. Ficou virada ao contrário. Tudo aquilo que antes era tão certo passou a ser só algo que eu já quis mas que agora já não faz sentido.
Agora fazia sentido arriscar, fazia sentido largar tudo e escrever uma nova história ao teu lado…que na realidade não era tão nova assim. Era apenas a continuação daquilo que já estava escrito. Era apenas o assumir de qualquer coisa que vinha crescendo com o tempo.

Hoje estamos juntos. Os amigos que se tornaram gémeos…hoje em dia são parte integrante do mesmo ser. Um ser que se equilibra com as forças dos dois. Um ser mais forte, capaz de tudo para se manter de pé!
Hoje somos um só. De mãos dadas, lado a lado."

domingo, 28 de setembro de 2014

"Se achas triste ver-me chorar, não queiras ver como estou por dentro" *

Esta noite, a malta cá de casa foi toda sair. Fiquei eu, por opção. Porque não me apetece ir para os copos, porque não me apetece estar na multidão, porque me apetece libertar todo este mal-estar que tenho cá dentro. Chorar alivia, dizem. Já nem sei se alivia, mas a verdade é que já tinha demasiadas coisas cá dentro que precisavam de ser libertadas...

Sinto-me virado do avesso. Sinto que a vida me encostou à parede e teima em dizer "achas-te forte? então prova a tua força, badameco, vamos medir forças".

Hoje vou confessar algo neste blog... Sempre quis ter a vida "controlada". Porque sou obstinado e pensei que a minha persistência me iria levar aos objectivos pretendidos. Mas a vida não se faz só de persistência... Diz-se que se paga pela língua, ou que pela boca morre o peixe... Ora nem mais... Sempre achei que seria pai até aos 25 anos - tenho 27 e nem estou perto disso sequer. Sempre achei que a minha saída de Coimbra seria uma fase transitória - já lá vão quase 7 anos e voltar está fodido... Sempre quis seguir jornalismo - o curso superior é um objectivo que está na gaveta, e o jornalismo enquanto profissão é cada vez mais uma miragem... Sempre quis estar ligado à música - ao sair de Coimbra tive que deixar a banda, e há mais de 4 anos que deixei de compor... Enfim, basicamente levo uma vida de reinvenções: tenho que estar sempre a reinventar-me, a reinventar os meus objectivos, a redefinir o caminho... E às vezes sinto-me cansado... Cansado de estar sempre a mudar a rota...

Tenho a vida feita num 8 e neste momento não sei como desatar tantos nós... Odeio ter que verbalizar isto (porque dói constatar a realidade, e porque odeio expor fragilidades), mas sinto-me um falhado.

E sendo absolutamente sincero, tenho vontade de fazer uma pausa no blog. Porque não consigo escrever aqui tudo o que precisava de escrever. Apesar de gostar de ser lido por vocês, apesar de gostar dos laços que criei aqui... A verdade é que há coisas que eram muito mais fáceis de escrever quando o meu blog não era lido, seguido e comentado por ninguém...  Se eu vos meter aqui prints do tempo em que o meu antigo blog não era lido por ninguém, vocês provavelmente iam ficar espantados com as coisas que eu escrevia... Porque sentia essa liberdade, de poder gritar e praguejar à vontade, de mandar foder o mundo se me apetecesse... E agora, não minto, há dias em que me sinto preso, inibido... Há dias em que precisava de chegar aqui e dizer "puta que pariu isto tudo" (sim, Xi e Suri, sou asneirento e digo mais palavrões do que devia...). 

Não há muito tempo, houve uma pessoa que me disse "cria outro blog, de forma anónima, e usa esse blog para escreveres o que não consegues escrever no outro". Na altura hesitei... Porque sou muito expressivo: com os olhos, com os gestos, e também com as palavras... Acho que a minha maneira de escrever é muito eu (e já houve quem o dissesse também, já houve quem chegasse aqui ao blog e me dissesse "és tu, sem tirar nem pôr"). E por isso, na altura, não considerei essa ideia. Com receio, confesso, de facilmente ser descoberto e associado ao Roger do (Des)Construções da Mente. Mas a verdade é que essa ideia ficou às voltas cá dentro... Não sei se serei capaz de a pôr em prática, não sei se criar outro blog, anónimo, é a melhor maneira de conseguir verbalizar o que preciso. O que sei é que, neste momento, este blog deixou de ser o meu espaço de desabafo. Não consigo ter a liberdade de escrita que preciso para mandar as minhas postas de pescada, não consigo sentir-me à vontade para falar sobre o medo que sinto de um exame que a minha mãe vai fazer dentro de poucos dias, não consigo sentir-me à vontade para libertar a frustração que me causa não conseguir voltar para casa, não consigo sentir-me à vontade para escrever o que mais preciso... E eu sempre disse que o blog tem um prazo de validade: existe enquanto fizer sentido como local de desabafo.

Não é um ponto final. É apenas uma vírgula, uma pausa. Porque me cansei de posts "sem sentido" e desinspirados, que não espelham na totalidade o que me vai cá dentro. Ainda ontem deixei em rascunho um post estúpido sobre jogos, sobre a minha indecisão de comprar o GTA V ou o FM15. Que interesse é que isso tem? Nenhum, eu sei. É como o post do Rodolfo, a rena de nariz encarnado. Lá está, sinto-me a escrever "porque sim"...

Às vezes é preciso parar para pensar... E todos nós precisamos de pausas de vez em quanto. Esta é a minha pausa. Sem ponto final - porque a blogosfera faz-me falta, porque vocês fazem-me falta. Mas ter a cabeça no lugar também me faz falta...

* parte da letra da música (antiga) "Ponto Final", do meu amigo Daniel (MC Cad / MC Invicto)

EDIT - Pus-me a ouvir mais músicas do puto Daniel... Só digo assim: só preciso de uns dias para pôr a cabeça no lugar e voltar a interiorizar isto:

"Acredito em mim
Eu sei que vou vencer
Todos erramos um dia
Mesmo sem a intenção de o fazer
(...)
Mantenho a força de vontade
Porque sei que consigo
Por mais merda que venha
Não me dou por vencido
(...)
Não vou desistir
Por mais mal que aconteça
Não vou desistir
E deixar que a tristeza vença
Só tenho uma vida
Vou lutar com firmeza
Para que a felicidade não vá e permaneça"

sábado, 13 de setembro de 2014

Isto de ter autênticos vulcões cá dentro tem muito que se lhe diga...

Alguém se virou para mim um dia destes e disse-me:
"Andas com os cornos no ar!"
Que é como quem diz "andas aéreo" ou "andas com a cabeça no ar" ou "andas despassarado".
E eu chego à conclusão que é verdade...

Foi uma semana de patas na poça. Era quase cada tiro cada melro. Nunca foi por mal, nunca foi com intenção, mas a verdade é nos últimos dias parece que tinha o condão de estragar tudo em que "tocava". Não acertava uma. E quanto mais tentava remediar, mais me enterrava. Não sei se é ansiedade a falar mais alto ou que raio é, mas a verdade é que, para o bem do mundo, esta era uma daquelas semanas em que eu estava bem era a hibernar. E não estou a exagerar! Antes estivesse! Mas a verdade é que não houve um dia sequer em que eu não fizesse merda. E o pior é o depois... É tipo ressaca... É que depois há uma coisa chamada "consciência pesada". Quem não tem consciência, convive bem com as merdas que faz, porque não tem o discernimento necessário para perceber os erros. Mas quando se tem consciência, o peso fica cá dentro, a moer... E depois vira ciclo vicioso. Por saber que estás propenso a fazer merda, a consciência começa a dar sinal com frequência e com intensidade. E ficas com tanto medo de fazer merda que... acabas a fazer merda na tentativa... de não fazer merda. Confuso? Nem queiram imaginar o quanto...

Concluo que tenho desesperadamente que pôr a cabeça no lugar. Eu já sou naturalmente muito mais emoção do que razão, mas sentir que nos últimos dias estou a perder vertiginosamente a racionalidade assusta-me. Porque este não sou eu! Digo tanta vez que o medo não nos pode toldar a visão e depois deixo que isso me aconteça a mim?! Deixo-me dominar por esta perda de racionalidade?! Mas que carago é que se passa comigo?!

Ainda me vou arrepender de dizer isto (porque há pessoas da minha esfera pessoal que me lêem, e estou a habilitar-me a ficar com 5 dedos marcados na cara), mas o que eu merecia agora era uma bela chapada para acordar! Foda-se Roger, sê tu próprio, sem medos mas equilibrando a razão com a emoção! Não te deixes dominar nem por uma nem por outra! Já estavas a aprender a ser um gajo mais equilibrado e agora voltas a abanar?! Voltas a ceder aos medos, às inseguranças?!

O que é que se passa comigo?!

Dasse, que até fico irritado comigo próprio!

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Sonhos que quero transportar para a realidade...

Na noite passada tive o melhor sonho de sempre. O mais real, o mais fantástico, o mais tudo. O melhor.

Sonhei com o meu maior desejo, a minha maior vontade: ser pai. Sonhei que estava a nascer a minha primeira filha. Sim, era uma menina (quando, por acaso, sempre gostei da ideia de ter primeiro um menino). E o mais incrível do sonho é que foi absolutamente arrebatador, como se fosse absolutamente real. Consigo lembrar-me de todos os pormenores do sonho com uma exactidão quase assustadora. É complicado explicar em palavras, porque foi o sonho mais intenso de sempre. E arrisco-me a que me chamem doido, mas acho que através do sonho consegui perceber aquilo que todos os pais dizem: que quando olhamos para um filho pela primeira vez, quando o temos nos braços pela primeira vez, quando os tocamos pela primeira vez... é o amor mais incondicional e absoluto que podemos sentir. Mais intenso do que amor que sentimos enquanto filhos, mais intenso do que o amor romântico... É um sentimento avassalador, arrebatador.

Ainda não sou pai. Ainda não sei o que é ter um filho nos braços. Mas se nos sonhos já é tão arrebatador, acho que quando for real vou explodir de tanta felicidade e de tanto amor.

PS - Sabemos que Agosto já acabou quando a blogosfera volta ao seu ritmo normal. O problema é que o meu trabalho ainda não voltou ao ritmo normal (embora esteja a começar a abrandar) e por isso ainda não consegui voltar a ser assíduo nas visitas aos vossos blogs. O que faz com que aconteça o que aconteceu agora: tenho imensos posts para ler em cada um dos blogs que sigo e não consigo "dar a volta" à lista num só dia. Vou tentar pôr a leitura em dia ao longo desta semana, e fica a promessa de voltar a ser assíduo nas visitas ainda este mês :)

domingo, 6 de julho de 2014

A vontade que bate mais forte cá dentro...

Não sei onde, como ou quando se começou a manifestar a minha vontade de ser pai. Porque desde sempre que é um sonho, uma vontade, um desejo. O maior de todos. Desde sempre que lido com crianças (tenho uma família grande) e sempre tive gosto nisso - e diz quem sabe que tenho jeito. Muitas vezes tomei conta do meu irmão mais novo, dos meus primos, do meu afilhado, ... Por isso, querer muito ser pai sempre foi o reflexo da relação que tenho com as crianças e foi algo que foi surgindo naturalmente.

Mas há alturas em que essa vontade se acentua. Há alturas em que fica realmente difícil continuar a adiar este sonho. Mas a verdade é que não me resta outra hipótese. Não tenho a estabilidade necessária para tal, tenho uma vida demasiado complexa para me aventurar nessas andanças. E para além disso, falta-me a mãe para a criança. Falta-me a mulher certa para mim e a mãe certa para os meus filhos. Falta-me alguém com quem partilhar a vida, constituir família. Não quero ser pai só por ser. Quero que os meus filhos sejam o fruto de algo, que sejam um desejo comum. Não quero ser pai a qualquer custo, quero ser o pai dos filhos da mulher que me arrebate de vez o coração.

Confesso, pela primeira vez neste blog, que já me passou pela cabeça (em mais do que um momento da vida) adoptar. Sozinho. Mas em Portugal? Se já é um processo burocrático penoso e muito demorado para casais, quanto mais para um gajo sozinho... E depois lá está: faz-me sentido que um filho seja um sonho comum, o projecto de um casal, o passo seguinte na vida de um casal, e não um "capricho" (entre aspas!) da minha pessoa.

Por isso, ser pai é o eterno sonho adiado. É aquele desejo que continua bem forte cá dentro, mas que felizmente não me mata a racionalidade. Não há nada na minha vida que esteja encaixado no sítio certo para poder ponderar ser pai agora. Eu quero ser o melhor pai do mundo, e não há nada na minha vida que esteja em condições para poder sê-lo. A vida amorosa é inexistente, a vida profissional demasiado agitada e complexa, a saúde financeira está presa ao ninho (ajudar os meus pais é, de há uns anos a esta parte, a minha maior prioridade)... Que pai seria eu agora? Não seria certamente o pai que almejo ser. Por isso, continuo à espera do momento certo e da pessoa certa. Desejando secretamente (ou não tão secretamente assim) que não demore muito tempo...

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Estou bem e recomendo-me, obrigado!

Por mais voltas que a vida dê, o meu passado vai perseguir-me, é a conclusão a que chego. Parece que o facto de ter sido muito imaturo e instável emocionalmente até aos 19/20 anos deixou-me um rótulo. Devo ter levado com um carimbo na testa e agora sou aquilo e nada mais. Como se as pessoas não crescessem, não amadurecessem, não passassem a encarar as coisas de uma forma mais adulta. Aos olhos de muitos, parece que continuo a ser o puto que se fascina tão depressa quanto perde o interesse, o puto que nunca está muito tempo sem namorada - mas esse puto ficou, felizmente, na adolescência. 

É a única explicação que arranjo para todos os dias alguém me dizer "e namorada?", "então e esse coração?", "precisas é de uma gaja que te anime". É isso e o facto de cada amiga, colega ou conhecida ser uma potencial namorada aos olhos dos outros.

O meu coração está bem e recomenda-se. Está como deve estar: no sítio, tranquilo, sossegado. Não confundam estar sozinho com estar só. Ninguém é mais feliz com namorada se primeiro não souber estar sozinho, se não souber gostar de si próprio, se não souber deixar o coração acalmar de vez em quando. A minha última relação acabou há cerca de 3 meses e, depois de tempos conturbados, estou cada vez mais tranquilo. Não preciso de casos, de flirts, de amizades coloridas, de crushes, de one night stands. E menos ainda de me apaixonar... Confesso-me numa fase em que tenho medo de me apaixonar... É um facto... Confesso que nesta fase da minha vida tenho medo da rejeição. Medo de ficar na friendzone - sou sempre "o ombro amigo", "o melhor amigo que se pode ter", "a melhor pessoa que conheço", "cada vez existem menos como tu", e dificilmente passo disto (ultrapassei a friendzone apenas uma vez). Medo de sofrer. Porque quero, mais do que nunca, poder assentar. Quero muito ser pai e esse sonho está cada vez mais longe, pelo menos até encontrar a mulher certa...

Não sei se serei o homem certo para alguém, se sou "o tal" para alguma mulher. Mas confesso-me cansado deste jogo de tentativa-erro... Tenho medo de voltar a entregar-me a alguma mulher e voltar a sair magoado...

Se estou carente? Estou. E tenho perfeita noção disso. E é por isso mesmo que não quero asneirar. Quando estamos carentes, deixamos que essa carência nos turve a vista. Fica fácil deixarmo-nos levar, mesmo quando sentimos que aquele caminho não é o correcto. Fica fácil confundir sentimentos. E eu quero evitar a todo o custo entrar por esses caminhos. Quero estar na minha onda, tranquilo. Se estivermos em paz connosco próprios, teremos o discernimento necessário para sabermos o que queremos, quem queremos e como queremos. E é esse exercício que eu estou a fazer: tentar ter cada vez mais discernimento, tentar ter um conhecimento cada vez maior acerca de mim próprio, tentar atirar-me menos de cabeça (acabo invariavelmente de focinho no chão, mais tarde ou mais cedo). Estou a tentar ser racional (aleluia!), é meio caminho para não ceder à carência, confundir sentimentos e voltar a ficar na merda - é um ciclo vicioso...

As coisas acontecem quando têm de acontecer. E não posso garantir (ninguém pode) que não me apaixone brevemente. Mas não tenho pressa, isso é certo. Estou tranquilo e isso chega-me para estar bem.
Real Time Web Analytics