Um dos assuntos mais falados desde o último fim-de-semana é a cena triste que o Jorge Jesus protagonizou no jogo do Benfica contra o Guimarães.
E sinceramente eu fico absolutamente parvo quando vejo pessoas que colocam o seu benfiquismo à frente da cidadania.
Ora vamos lá analisar isto por partes.
Se é verdade que a Polícia muitas vezes abusa da sua autoridade e chega à violência, não é menos verdade que a Polícia serve para repor a ordem pública. Qualquer cidadão que fizesse o que o Jesus fez, acabava detido! Aliás, assistimos a isso em quase todas as manifestações que acontecem neste país, ou até mesmo nos jogos de futebol de risco (ainda no último derby foram detidos dois indivíduos). Enquanto cidadãos, todos nós temos direitos e deveres. E, queiramos ou não, o que o Jesus fez é um acto punível por lei e não pode ser desresponsabilizado só porque é treinador de futebol! Senão voltamos à velha discussão dos cidadãos de primeira e de segunda, porque os poderosos nunca vão presos. Mas se nos insurgimos contra aqueles que nos desgovernam e que alegadamente estão envolvidos em negócios menos claros, porque raio vamos desculpabilizar um treinador de futebol? E atenção que eu não digo isto por ter sido o treinador do Benfica a protagonizar aquele triste espectáculo! Se fosse o treinador do Sporting eu diria o mesmo. Se fosse o da Académica, idem. Até podia ser o treinador do Académico de Viseu! É que, ao contrário dos benfiquistas, eu não vejo o mundo de uma só cor!
E agora analisando isto no plano desportivo... Se existe policiamento nos estádios, por algum motivo é: para garantir a ordem pública, para garantir a segurança de todos os intervenientes (público, jogadores, árbitros, dirigentes, equipas técnicas, equipas médicas, etc). E desculpabilizar a atitude de Jorge Jesus é perigoso... É estar a dizer que vale tudo nos estádios, é dizer que os adeptos podem invadir o campo, é dizer que os treinadores estão acima da lei... Atenção, que isto não me parece o caminho certo para o futebol! Para além de que o treinador, enquanto líder de uma equipa, deve dar o exemplo. Que moral tem ele agora para cascar num jogador que se vire aos árbitros, aos polícias, aos adeptos, etc?! Mais... Tendo em conta que estamos a falar do treinador que há 4 meses levou um encosto de um dos seus jogadores, que moral tem ele agora para falar O QUE QUER QUE SEJA da atitude do Cardozo? Bem como o Luís Filipe Vieira, que tem a distinta lata de dizer que "o único maltratado foi o Jorge Jesus, que perdeu o relógio".
E lamento, mas ver benfiquistas (felizmente não são todos, ainda há gente de bom-senso apesar do mau gosto clubístico lol) a dizer que o JJ teve uma atitude bonita ao defender os seus adeptos, deixa-me sem palavras. Por essa ordem de ideias, quando as forças policiais intervêm nos bairros problemáticos, vamos todos incendiar caixotes do lixo e afins (como aconteceu ainda há uns meses, salvo erro em Setúbal, quando aquele puto se despistou de mota durante uma perseguição ou lá o que foi) para defender o vizinho - que até pode ser um mânfio e até pode ter cometido um crime, mas o que interessa é defender. Mas está tudo estúpido?! Mas pegando nessa teoria de defender... Defender adeptos é fazer aquilo que já vi o Cristiano Ronaldo fazer mais que uma vez: quando invadem o campo para ir ter com ele, ele faz sinal às forças policiais para terem calma e não usarem a força e ajuda assim a controlar os ânimos. E vê-se esses adeptos a abandonar o campo sem resistência, escoltados pela Polícia, sem grande alarido.
"As situações com Jesus vão-se sucedendo mas há sempre espaço para a
surpresa. O que lhe passa pela cabeça? Já não existe autoridade? Este
não é exemplo de um líder. Pode errar? Sim, mas não desta forma. Pelo
que foi noticiado, e não por ele, pediu desculpas ainda no estádio. Por
que razão não o fez na conferência de imprensa? Fê-lo 48 horas depois,
na Benfica TV. Que tipo de mensagem passa? Jesus não pode exigir
nada a ninguém, comportando-se desta maneira. Ser treinador não é
apenas mexer nas peças, conhecer meio mundo, saber usar a melhor táctica
e afins. Mais do que ganhar ou perder é a forma como nos comportamos e
agimos que define quem nós somos. É dar o exemplo. Respeitar e fazer-se
respeitar. Jesus começa a ser nesta altura um problema para o Benfica"